RAZÃO DAS DOENÇAS: POST DE FÁBIO NATRIELLI

Este gráfico é sobre do que as pessoas morrem, o que as pessoas buscam e o que a mídia cobre. Dê uma olhada nele.
Para Platão, na alma humana há um elemento que conduz à satisfação dos desejos. É a parte apetitosa da alma, cuja virtude é a temperança. Mas, existe também uma força capaz de interromper tal satisfação, que é o elemento racional, cuja virtude é a prudência. Não à toa, a temperança e a prudência são duas das quatro virtudes cardinais gregas, incorporadas também pelo cristianismo. Vemos que há, dentro da mesma alma, inclinações distintas; parte dela deseja a satisfação imediata dos desejos, como comer e beber; e outra se plenifica quando regula este apetite, que é insaciável, através da razão. Platão demonstra que há uma contradição interna em nós e que, comumente, para a maioria das pessoas, o elemento apetitoso leva vantagem em relação ao racional.
Por quê?
Porque é muito mais fácil satisfazer todos os seus desejos, como um animal que vê comida e come, do que dominá-los racionalmente, não atendendo ao apetite insaciável do corpo. Para ilustrar este argumento, Platão conta a história de Leôncio, que passeando por uma área externa de Atenas, depara-se com uma cena grotesca, vários cadáveres jogados e amontoados, de prisioneiros e condenados, etc. Ao vê-los, sente o desejo de olhar para aquela cena grosseira, ao mesmo tempo que sente repulsa pelo que vê. Uma parte deseja satisfazer o desejo mórbido de olhar para os cadáveres. A parte racional, rejeita tal impulso. Na história Platônica, Leôncio é vencido pelo seu apetite e volta a olhar para a cena deplorável. Irritado consigo mesmo, Leôncio fala para si: "Aqui tendes, gênios do mal, saciai-vos deste belo espetáculo".
E o que isso tem a ver com a imagem do post?
Tudo. Porque, se você olhar bem, é a raiz do mesmo comportamento. A imagem do post apenas reflete este aspecto da natureza humana, já evidenciado por Platão há 2.500 anos.
O problema é a mídia?
Pode ser. Mas parcialmente. Porque a mídia só veicula aquilo que dá audiência. E quem da audiência e ao quê? Parte do problema somos nós, que também damos audiência para tudo isso, retroalimentando este ciclo vicioso de conteúdo vulgar, audiência e mais conteúdo vulgar. Sejamos mais seletivos com o conteúdo que consumimos antes que eles nos consumam por dentro. Não é sobre ser um completo alienado, virar uma Poliana ou forçar uma postura de positividade tóxica, mas também, ao menos, não permitir ser manipulado.