Diretrizes metodológicas para investigar estados alterados de consciência e experiências anômalas (artigo científico de 2003)
https://www.scielo.br/j/rpc/a/zCrtNCxQG3hTcQ4DCmXxRZK/?format=html&lang=pt
Fonte: ARQUIVES OF CLINICAL PSYCHIATRY (Revista de Psiquiatria Clínica)
RESUMO (DO TRABALHO ACIMA)
As experiências anômalas (EA) (vivências incomuns ou que se acredita diferentes do habitual e das explicações usualmente aceitas como realidade: alucinações, sinestesia e vivências interpretadas como telepáticas...) e os estados alterados de consciência (EAC) são descritas em todas as civilizações de todas as eras, constituindo-se elementos importantes na história das sociedades. Apesar disso, têm recebido pouca atenção da comunidade científica, ou são abordados de forma pouco rigorosa. As EA e os EAC podem ser estudados sem que se compartilhem as crenças envolvidas, sendo possível investigá-los enquanto experiências subjetivas e, como tais, correlacionados com quaisquer outros dados. Neste artigo, procurou-se apresentar algumas diretrizes metodológicas para um estudo rigoroso do tema, entre elas: evitar uma abordagem preconceituosa e a "patologização" do diferente, a necessidade de uma teoria e de uma revisão exaustiva da literatura existente, utilizar diversos critérios de normalidade e patologia, investigar populações clínicas e não clínicas, desenvolvimento de instrumentos adequados para avaliação, cuidados na escolha dos termos e no estabelecimento de nexos causais, distinguir entre experiência vivenciada e suas interpretações, considerar o papel da cultura, avaliar a confiabilidade e a validade de relatos, por fim, o desafio gerado pela necessidade de criatividade e diversidade na escolha dos métodos.
Unitermos: Metodologia; Estado alterado de consciência; Espiritualidade; Experiência anômala.
Alexander Moreira de Almeida, Médico Psiquiatra e Titular de Psiquiatria da Universidade Federal de Juiz de Fora/UFJF, MG e Diretor do NUPES-Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde.
Francisco Lotufo Neto, Médico Psiquiatra e Livre Docente do Departamento de Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo